A Nossa Terra - Bagueixe, Macedo de Cavaleiros!
Escrito em 4 de Março de 2025
Bagueixe, Macedo de Cavaleiros – História e Tradição
Bagueixe é uma povoação do Município de Macedo de Cavaleiros que foi sede da extinta Freguesia de Bagueixe com 9,88 km2 de área e 125 habitantes (12,6 hab/km2)
A Freguesia de Bagueixe foi extinta (agregada) pela reorganização administrativa de 2012/2013, sendo o seu território integrado na então criada União de Freguesias de Talhinhas e Bagueixe.
A União das Freguesias de Talhinhas e Bagueixe é uma freguesia do município de Macedo de Cavaleiros, com 35,25 km² de área e 262 habitantes (censo de 2021). A sua densidade populacional é 7,4 hab./km².
Fez parte do concelho de Izeda e foi desanexada em 1855, passando a integrar o concelho de Macedo de Cavaleiros.
Com uma paisagem marcada por montes e vales típicos do nordeste transmontano, esta localidade conserva uma forte identidade rural e cultural.
Origens e História
A ocupação humana na região remonta a tempos muito antigos, havendo vestígios da presença de povos pré-romanos e romanos. A proximidade de vias com a antiga cidade romana de Aquae Flaviae (actual Chaves) e outras vias romanas sugere que Bagueixe poderá ter sido um ponto de passagem ou até um pequeno núcleo agrícola durante a ocupação romana da Península Ibérica.
Na Idade Média, a região de Macedo de Cavaleiros começou a ganhar importância devido à reorganização do território após a Reconquista Cristã. O nome Bagueixe pode ter origens ligadas à língua mirandesa ou a expressões arcaicas do português medieval.
Durante séculos, Bagueixe foi uma aldeia essencialmente agrícola, onde a subsistência das famílias dependia da terra e da criação de gado. O isolamento relativo da região ajudou a preservar tradições e modos de vida que, em muitos locais, já se perderam.
Tradição e Cultura
Como muitas aldeias transmontanas, Bagueixe mantém vivas algumas tradições antigas, como as festividades religiosas, onde se destacam as romarias e festas populares em honra dos santos padroeiros São Roque e São Paio. A religiosidade e o sentido comunitário sempre foram fortes entre os habitantes da aldeia.
A arquitectura tradicional, com casas de pedra e telhados de ardósia, ainda pode ser vista em alguns pontos da aldeia, apesar da modernização que se foi impondo ao longo das décadas.
A gastronomia local reflecte os sabores transmontanos, com destaque para a carne de porco, o fumeiro (chouriços, alheiras e salpicões) e os pratos de caça, como o javali e a perdiz.
Economia e Actividades Locais
A economia de Bagueixe sempre esteve ligada à agricultura e pecuária. Os solos da região são propícios ao cultivo de azeitona, castanha, amêndoa e cereais, além da pastorícia. O azeite transmontano, reconhecido pela sua qualidade superior, nomeadamente o seu azeite da variedade maioritariamente santulhana é um dos produtos mais valorizados da terra.
Nos últimos anos, houve um esforço para valorizar os produtos locais e atrair visitantes através do turismo rural, promovendo o contacto com a natureza e as tradições da aldeia.
Presente e Futuro
Como muitas aldeias transmontanas, Bagueixe enfrenta o desafio da desertificação rural, com a diminuição da população residente e o envelhecimento dos habitantes. No entanto, há esforços para revitalizar a aldeia através da valorização dos produtos locais, do turismo rural e da melhoria das infra-estruturas.
Os novos projectos agrícolas, aliados a um interesse renovado pelas tradições, têm permitido que algumas famílias regressem às origens para apostar na produção sustentável de azeite, frutos secos e outros produtos regionais.
A ligação com os emigrantes também desempenha um papel importante. Muitos filhos da terra regressam para as festividades, mantendo vivo o vínculo com a aldeia.
Conclusão
Bagueixe é um exemplo das pequenas aldeias transmontanas que souberam preservar o seu passado agrícola e cultural, apesar das mudanças ao longo do tempo. Enraizada na paisagem e nas tradições de Trás-os-Montes, continua a ser um local onde a história e a autenticidade da vida rural permanecem vivas.